Ainda vale a pena usar a poupança para guardar dinheiro?

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Nos países subdesenvolvidos, a propensão marginal a consumir é bastante elevada, ou seja, as pessoas gastam praticamente tudo o que ganham. Quando têm uma reserva no fim do mês, ela comumente é depositada em opções pouco rentáveis, como a caderneta de poupança. Isso se deve, sobretudo, a fatores culturais e à falta de conhecimento, já que a maioria das pessoas não sabe quais são os riscos de poupança.

Quando se fala em risco, é natural pensar no confisco ocorrido durante o governo Collor no ano de 1990. Entretanto, este artigo não tem o objetivo de abordar a possibilidade de ocorrer novamente um episódio como esse, mas de apresentar os riscos de poupança como uma opção de investimento. Quer entender melhor sobre o assunto? Então continue a leitura!

POR QUE O INVESTIMENTO EM POUPANÇA É TÃO DIFUNDIDO NO BRASIL?
A aplicação de recursos na caderna de poupança é bastante popular no país, pois, além da facilidade de aplicar e fazer resgates, tal modalidade de investimento apresenta um baixo risco, além de ter retornos financeiros isentos do pagamento de impostos.

Entretanto, como investimento de longo prazo, a poupança oferece uma série de desvantagens em relação a outras opções existentes no mercado. Isso porque, além de oferecer uma menor remuneração, muitas vezes não repõe nem a inflação do período, como será abordado adiante.

QUAIS SÃO AS DESVANTAGENS DE INVESTIR NA POUPANÇA?
São vários os riscos financeiros de se utilizar a poupança como uma forma de investimento. Dentre eles, podemos destacar:

Oferece baixo rendimento
De acordo com o Banco Central, o rendimento da poupança é composto por duas partes: a remuneração básica — que é dada pela Taxa Referencial (TR) — calculada diariamente pelo Banco Central, e a remuneração adicional, que corresponde a:

• 0,5% ao mês, se a Selic  — taxa de juros básica da economia — for superior a 8,5% ao ano;
• 70% da meta anual da taxa Selic, se esta for igual ou inferior a 8,5% ao ano.

Como pode ser evidenciado na tabela a seguir, o rendimento da poupança se situou, historicamente, em patamares muito aquém do desejado para aqueles que buscam aumentar seu patrimônio.

Histórico da poupança:

Ano Rendimento Absoluto (%) Retorno Real (%)
2000 8,3 2,2
2001 8,6 0,9
2002 9,3 -2,9
2003 11,2 1,8
2004 8,1 0,5
2005 9,2 3,3
2006 8,4 5,1
2007 7,8 3,2
2008 7,9 1,9
2009 7,1 2,6
2010 6,9 0,9
2011 7,5 0,9
2012 6,5 0,6
2013 6,4 0,4
2014 7,2 0,7
2015 8,2 -2.3
2016 8,3 1,9
2017 6,6 3,6

Fonte: Banco Central

É comumente corroída pela inflação
O baixo rendimento da caderneta de poupança — que raramente ultrapassa 8% ao ano —, associado ao cenário de instabilidade econômica e política, dificulta o controle da inflação.

Por isso, é comum que as pessoas que deixam os seus recursos nessa aplicação acabem perdendo dinheiro, já que muitas vezes o seu rendimento é inferior à inflação do período.

É uma opção menos rentável em um cenário de altas taxas de juros
O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, o que atua como um grande atrativo para aqueles que querem investir os seus recursos. Como muitos investimentos são vinculados à Selic, quanto maior for essa taxa, maiores serão os rendimentos dos investidores.

Nesse contexto, outros investimentos indexados à Selic se tornam muito mais atrativos do que a caderneta de poupança, como o Tesouro Direto, a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) , entre outros.

Existem outras opções tão seguras e com rendimentos maiores
A poupança é considerada um investimento seguro, pois é protegida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo garante que, caso a instituição depositária venha à falência, os investidores serão ressarcidos até o limite de R$250 mil.

Entretanto, outros investimentos também são assegurados pelo FGC, como as Letras de Câmbio, o LCA, o LCI, o CDB (Certificado de Depósito Bancário), e outros que têm um rendimento superior ao da poupança, sendo, portanto, mais vantajosos.

Não é o único investimento isento de imposto de renda
Além da poupança, existem várias outras opções no mercado que são isentas do imposto de renda. Entretanto, cabe destacar que, mesmo aqueles investimentos que têm incidência do referido imposto, podem ter um rendimento superior àqueles que têm isenção.

Dentre as opções que são isentas do pagamento do imposto de renda, podemos destacar:

• LCI: investimento de renda fixa emitida pelos bancos com o objetivo de obter recursos no mercado para financiar empresas do setor imobiliário;
• LCA: é semelhante ao LCI, entretanto, os recursos são direcionados ao agronegócio;
• CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio): é emitido pelas securitizadoras, que fazem a conversão de dívidas em títulos lastreáveis;
• CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliário): é semelhante ao CRA. A diferença está no segmento e montante de aporte;
• Debêntures Incentivadas: são títulos da dívida em que os emissores (empresas de capital aberto ou fechado) buscam recursos para o seu caixa.

Cabe destacar que, além dessas, existem outras alternativas de investimento que, assim como a poupança, são isentas do imposto de renda. É importante que você pesquise bastante antes de decidir aplicar os seus recursos para que escolha a opção de maior rentabilidade.

Não é uma boa opção para o curtíssimo prazo
O rendimento da poupança ocorre a cada 30 dias, ao contrário do rendimento diário do CDB ou dos Fundos DI. Por isso, se você precisar sacar os seus recursos em um período inferior a 1 mês, você não terá nenhuma rentabilidade.

Como se percebe, os riscos de poupança fazem com que essa opção de investimento não se configure como uma boa alternativa para quem quer aumentar seu patrimônio — pelo contrário! —, já que muitas vezes o seu dinheiro é corroído pela inflação do período.

Assim, se você está em busca de rentabilidade e segurança para os seus recursos, não deixe de pesquisar sobre as melhores opções de acordo com o seu perfil. Você vai encontrar diversas opções no mercado muito superiores à poupança.

Para saber mais sobre o assunto, confira 5 investimentos importantes para a sua família!