Como planejar o futuro de um filho com necessidades especiais

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Ninguém gosta de contar os centavos quando o assunto é proporcionar alegrias à seus filhos, mas a verdade é que cuidar de um filho pode se bastante caro. Essa realidade é ainda mais verdadeira quando falamos de criar e educar uma criança com necessidades especiais.

Na verdade, um estudo financiado pelo Autism Speaks estimou que o custo médio de vida de uma criança com autismo, por exemplo, gira em torno de R$2,9 milhões de reais. E os gastos podem ser ainda maiores dependendo do tipo de necessidade como cegueira, síndrome de down, TDAH e alguma doença grave (confira quais são as doenças consideradas como graves pela Legislação Brasileira aqui).

Com planejamento e preparação, você pode ajudar a garantir que sua criança tenha a ajuda que ela precisa agora e no futuro. Existem muitas organizações e serviços que podem tornar os seus custos mais gerenciáveis.

Neste artigo, vamos percorrer algumas das etapas que você, responsável por uma criança com necessidades especiais, pode tomar para ajudá-lo a prover os melhores cuidados. Munido dessas informações – e a ajuda de profissionais qualificados – você terá as ferramentas necessárias para tomar decisões informadas para o futuro.

PLANEJE PARA TODA A VIDA
Um relatório divulgado pelo US Census Bureau descobriu que 2,8 milhões de famílias americanas haviam relatado criar duas ou mais crianças com deficiência. De acordo com o CDC, o autismo afeta 1 em cada 88 crianças. E, com base nos resultados da Sociedade Nacional de Síndrome de Down, 1 em 700 bebês nascidos nos EUA é diagnosticado com Síndrome de Down.

Você nunca estará totalmente pronto para lidar com todas as eventualidades quanto se trata de cuidar das necessidades especiais de uma criança. No entanto, há cuidados que você pode tomar antes e após o nascimento de seu filho que podem fazer uma grande diferença mais pra frente.

Nós fizemos um levantamento aprofundado mostrando como se planejar para as etapas da vida de seus filhos e as dividimos em marcos importantes de acordo com a faixa etária.

Lembre-se de que este conteúdo não substitui a consultoria de um profissional de sáude, finanças ou corretor; é apenas um recurso que visa ampliar sua perspectiva através de informações relevantes.

NASCIMENTO DA CRIANÇA ATÉ OS 3 ANOS

Converse com seu pediatra sobre Intervenção Precoce
Converse com seu pediatra sobre clínicas e profissionais especializados em Intervenção Precoce. Para aqueles que não sabem, a Intervenção Precoce é um sistema de serviços que destina-se a bebês e crianças até a idade escolar que possuam atrasos no seu desenvolvimento em decorrência de alguma necessidade educativa especial ou alguma deficiência ou doença grave.

A Intervenção Precoce consiste na prestação de serviços terapêuticos, educativos e sociais de modo a minimizar a manifestação de problemas ou prevenindo sua ocorrência. Dessa forma, a criança tem melhores chances de desenvolver suas habilidades físicas e cognitivas, como entendimento e resolução de problemas, ouvir, brincar e se comunicar.

Essas áreas de foco e o que elas implicam podem variar de acordo com o nível de necessidade de sua criança. Seu pediatra pode lhe apontar quais são os serviços disponíveis em sua localidade e que melhor se adequem à sua realidade. Você também pode buscar informações online que lhe permitirão estimar aproximadamente o tamanho do investimento necessário, orçá-lo e encaixá-lo melhor dentro de seu planejamento e condições financeiras.

Planeje o futuro de seu filho para quando você não estiver mais presente
Planejar o bem-estar do seu filho no caso de sua morte é importante. Por essa razão, muitos pais optam por deixar um testamento. Contudo, dependendo do valor que você deixar em nome de sua criança, ela  deixará de ser elegível para receber os auxílios e benefícios do governo.

Para evitar que isso aconteça, muitos pais optam por eleger um procurador (que pode ser um amigo designado, familiar ou advogado) o nomeando como administrador fiduciário para que ele possa controlar os bens que serão deixados para seu filho. Como os bens estarão em nome do administrador, seu filho continuará sendo elegível para ajuda governamental, caso haja necessidade, sem perder acesso aos bens que lhe serão deixados.

Escolha um tutor legal
É importante designar um tutor legal para crianças menores de 18 anos. No entanto, dependendo das necessidades do seu filho, ele ou ela pode precisar de ajuda e orientação contínua também na vida adulta. Caso você sinta que seu filho não pode tomar decisões legais e financeiras por conta própria, considere a possibilidade de nomear um tutor ou guardião legal.

Para saber como designar um ou mais tutores, é necessário registrar o desejo em testamento ou através de documentação legal e autenticada. Mais informações sobre como nomear um tutor e quais são suas designações perante a lei, podem ser encontradas no site do Centro de Direito da Família.

Na maioria dos casos, um irmão adulto, um amigo ou familiar próximo assume a tutela da criança. Os guardiões são supervisionados pelo tribunal a fim de que se evite qualquer abuso potencial de confiança.

Seja qual for o caminho que você decidir tomar, certifique-se de consultar um profissional para obter conselhos específicos referentes à sua situação.

Procure se informar sobre o seguro de vida
Comprar uma apólice de Seguro de Vida pode ser um pouco complicado, mas vale muito a pena. Afinal, fazer um Seguro de Vida para você, garante que seu filho esteja resguardado na sua falta.

O valor do seu seguro de vida dependerá do que você precisa e que tipos de despesas você deseja que sejam cobertas como o salário do cuidador de seu filho, professor, alimentação especial, funeral, por exemplo.

Para compreender melhor que tipo de coberturas e assistências são mais interessantes para você, procure um corretor de confiança.

Informações adicionais
• Não se esqueça de incluir seus outros filhos em seu planejamento orçamentário (caso tenha mais de um).
• Pense muito sobre quem você designará como guardião legal. Pesquise online grupos de apoio e assistentes sociais que podem lhe ajudar a tomar essa decisão.
• Evite abrir contas de poupança ou investimento em nome de seu filho uma vez que isso pode afetar sua elegibilidade para benefícios assistenciais governamentais, caso ele venha a precisar no futuro.

DOS 3 AOS 18 ANOS

É nessa fase que você começa a entender o diagnóstico de seu filho um pouco melhor. Esse entendimento é inestimável, pois ele pode ajudá-lo a defender os interesses de sua criança à medida que ela passa da fase de Intervenção Precoce – feita em casa de modo individual – e começa a frequentar escolas e a interagir socialmente.

Com o passar dos anos, você obterá mais informações sobre suas necessidades especiais e poderá ajustar seus planos financeiros de acordo.

Envolva-se nos acontecimentos escolares
Se você pesquisar e conversar com vizinhos, verá que há outras famílias dentro de seu bairro que enfrentam situações semelhantes a sua. Logo, não há nenhuma razão para você passar por essa fase sozinho (a). Procure o diretor da escola mais próxima ou uma assistente social e busque saber informações sobre grupos de apoio, terapia ou oficinas educacionais.

Esta é uma ótima maneira de desenvolver vínculos com outras pessoas, além de trocar ideias com pais de outras crianças que compartilham da mesma realidade que a sua de modo a avaliar, a partir da realidade deles, como será o seu custo financeiro daqui pra frente e onde você pode cortar gastos.

Revise suas finanças regularmente
A cada 2 ou 3 anos, é bom que você revise suas finanças para verificar se você está seguindo o caminho e os planejamentos estabelecidos anteriormente que o permitirão alcançar seus objetivos pessoais. À medida que seu filho cresce, você poderá desenvolver uma ideia de quais recursos ele ou ela poderão precisar daí para frente.

Com isso em mente você poderá reavaliar se realmente precisa de uma apólice de Seguro de Vida com um valor tão grande de prêmio ou se é melhor adquirir uma apólice de seguro ainda maior do que a que possui atualmente. Acompanhe seus gastos, incluindo qualquer despesa extra, sobretudo aquelas que envolvem os cuidados de seu filho.

Planeje e faça projeções que incluam o melhor e o pior cenário de cada situação, já que é impossível saber quais despesas inesperadas podem surgir. Além disso, não se esqueça de prever os gastos do restante da família – e demais filhos, assim como o planejamento de sua aposentadoria.

Sobre o benefício assistencial ao idoso e à pessoa com deficiência (BPC)
Segundo a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), o Benefício de Prestação Continuada (BPC) garante um salário mínimo mensal ao idoso ou à pessoas com deficiência, de qualquer idade, que possua impedimentos de natureza física, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo que o impossibilite de participar integralmente da sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas.

Para ter direito ao benefício, a renda por pessoa do grupo familiar deve ser igual ou menor que 1/4 do salário-mínimo vigente. As pessoas com deficiência também precisam passar por avaliação médica e social realizadas por profissionais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Para obter mais informações sobre como conseguir o benefício, procure o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo da sua residência para esclarecer dúvidas e receber orientação sobre o preenchimento dos formulários necessário clique aqui.

Informações adicionais
• Não esqueça que está tudo bem planejar sua própria aposentadoria enquanto você está descobrindo o futuro financeiro de sua criança. Conheça mais sobre a Previdência Privada.

SAINDO DO NINHO

Dos 18 aos 22+ anos
Seu filho não é mais, legalmente, uma criança. Dependendo do seu diagnóstico e prognóstico, ele pode até estar pronto para frequentar uma universidade. Mas há muito a considerar, inclusive se seu filho vai precisar de um apoio adicional em sala de aula ou ir para uma instituição particular preparada pare recebê-lo. Esse também é um momento ótimo para analisar os itens que abordamos anteriormente.

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